segunda-feira, 28 de março de 2016

Escrever


Mandamentos de Raymond Chandler




1. Não é possível escrever uma história de detetive perfeita
2. A maneira mais eficaz de esconder um mistério é por trás de outro mistério
3. Bobagem acreditar que ninguém liga para o cadáver
4. Diálogo cínico não é humor espirituoso
5. História de mistério publicada em episódios não funciona bem como romance
6. Casos de amor quase sempre enfraquecem uma história de mistério
7. O herói da narrativa de mistério é o detetive
8. O criminoso não pode ser o detetive
9. O assassino não deve ser um maluco
10. Todas as ficções dependem do suspense

Veio DAQUI.

(Foto Brett Walker)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Escrever


Exercícios para inspirar criatividade. Coisa antiga, veio DAQUI (Tradução, lógico, de outro site).


"A capacidade de fazer algo diferente não é um dom guardado para um pequeno grupo. A criatividade pode vir de qualquer lugar, basta encontrar a melhor maneira de fazer seu cérebro funcionar para esse fim. Grandes mentes, que conseguiram se destacar por suas criações, foram capazes disso.
Grandes mentes criativas quase sempre têm métodos de trabalho estranhos. Seguir exatamente o que elas fazem não vai ajudar você a ser um gênio, mas vai lhe fazer perceber que às vezes o necessário é realmente sair do comum para fazer sua mente funcionar.
O site da FastCompany reuniu hábitos inusitados de 8 mentes criativas que fizeram sucesso. Confira abaixo:

Salvador Dali cochilava com uma chave nas mãos

Dali era um gênio até na hora de cochilar. Com uma chave na mão, sentado numa cadeira, ele deixava seu braço balançar sobre uma placa de metal. No momento em que o sono estivesse tomando conta dele, a chave cairia de sua mão, batendo na placa e produzindo um barulho alto o suficiente para despertá-lo. “Nem um segundo a mais é necessário para que sua mente e seu corpo estejam revigorados após a quantidade certa de repouso”, escreveu Dali. Utilizando da hypnagogia, estado entre estar acordado e dormindo, Dali era capaz de deixar sua mente mais solta e, assim, ter ideias.

Jay Z decora rimas

Em seu livro, Jay Z escreve que, na época em que vendia drogas nas ruas, não tinha tempo ou dinheiro suficiente para passar suas rimas para um caderno. “Então, eu criei um canto separado na minha mente onde eu as guardava”, disse o rapper. Até hoje ele “escreve” suas letras e cria seu ritmo na sua mente antes de gravar as músicas.

Dan Harmon desenha infográficos

Harmon, criador e escritor do seriado americano Community, da BBC, revelou que todas as histórias precisam passar por 8 passos para que sejam suficientemente boas. Cada trama, piada e temporada é criada a partir de um ciclo que ele criou assistindo a Duro de Matar, filme de ação popular dos anos 90:
1 - O personagem está em sua zona de conforto
2 - Ele quer alguma coisa
3 - Ele encontra uma situação com a qual não está acostumado
4 - Ele se adapta a ela
5 - Ele alcança o que quer
6 - Paga um grande preço por ter alcançado seu sonho
7 - Volta à situação a que estava acostumado
8 - Percebe mudanças em si mesmo

Trey Parker e Matt Stone deixam tudo para última hora

Trabalhar com um prazo apertado não é nada novo para ninguém, especialmente para pessoas criativas. Mas South Park é o único show animado que a produção inteira - como roteirização, animação, dublagem, edição de som e imagem e comunicação - é feita toda durante a semana em que o episódio vai ser transmitido.
Diferente de programas que planejam com meses de antecedência, os episódios de South Park são fechados horas antes de irem ao ar na televisão. Parker e Stone já revelaram - no documentário “6 Days to Air: The Making of South Park” (“6 Dias Para Ir Ao Ar: Fazendo South Park”) - que o pânico é uma grande parte do processo de criação, já que leva a ideias mais espontâneas.

Demóstenes discursava com pedras na boca e cortava seu próprio cabelo

De acordo com o historiador grego Plutarco, o famoso orador e político Demóstenes nem sempre foi bom em discursar e, na primeira vez em que discursou, tudo que conseguiu foi arrancar risadas do público (não, não era um stand-up!). Mas, após ser encorajado por um um amigo próximo, ele começou a praticar, falando com pedras na sua boca e treinando em uma sala subterrânea todos os dias. Lá, ele raspava um lado inteiro do seu cabelo, para evitar sair antes, com medo de virar alvo de piadas.

Igor Stravinsky ficava de cabeça para baixo

Igor Stravinsky, compositor russo-americano, mais notável por suas peças para balé, admitiu que todos os dias praticava um exercício ensinado a ele por um ginasta húngaro: ficar de cabeça para baixo. Mason Currey explica em seu livro, Rituais Diários, que Stravinsky fazia isso para limpar sua mente. Descobriu-se depois que realmente existem diversos benefícios gerados por períodos nessa posição, como o aumento da circulação e a detoxificação das glândulas adrenais.

Balzac bebia litros e litros de café

O escritor francês Balzac costumava recomendar uma forma “brutal” de beber café apenas para “homens com excesso de vigor”: beber café fortíssimo com o estômago vazio. Existem boatos de que Balzac bebia 50 copos de café por dia para estimular sua escrita, às vezes bebendo cerca de 2 a 3 copos ao mesmo tempo.

O inventor Yoshiro Nakamtsu quase se afoga (de propósito)

O inventor do disquete, e de outras 3 mil patentes registradas em seu nome, revelou que quanto mais perto da morte está, mais criativo fica. Ele já revelou também que afunda sua cabeça na água para ter novas ideias e completa: “Me mantenho embaixo d’água até ter meu momento de gênio, o que poderia acontecer apenas meio segundo antes de morrer”.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

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PROCESSOS de NEIL GAIMAN

(Isso é coisa antiga, veio do "Ficção em Tópicos". Copiei e colei para relembrar aqui)





Abaixo você encontra uma tradução livre de um trecho editado da entrevista que o Neil Gaiman deu para o Nerdist podcast. Ainda não escutei a entrevista inteira, que dura 1 hora e 12 minutos, mas mesmo esses 5 minutos do vídeo editado já são um minicurso para quem quer ser escritor. …


 IDEIAS E RASCUNHOS
Para mim, [escrever] sempre foi um processo de tentar me convencer de que o que estou fazendo no primeiro rascunho não é importante. Eu me lembro da sensação de liberdade incrível quando deixei de usar uma máquina de escrever e passei a usar um computador porque eu não estava mais criando pilhas de papel. Era apenas especulação, imaginação. Eu estava escrevendo essas palavras mas elas não tinham importância. Então uma década depois eu me lembro da sensação de liberdade novamente quando pensei “eu posso escrever em blocos de anotações”. [O texto] não parecia real até que eu digitasse no computador. E uma das coisas que ainda faço é escrever em bloco de notas. Eu simplesmente escrevo a mão porque não é real. Uma forma de ultrapassar o bloqueio de escritor é se convencendo que não importa, ninguém nunca verá seu primeiro rascunho. Ninguém se importa com seu primeiro rascunho. Talvez seja isso que esteja te agonizando tanto, mas honestamente, o que quer que você esteja fazendo pode ser consertado. Você pode consertar amanhã, na semana seguinte. Por agora, simplesmente coloque as palavras para fora da sua cabeça, apenas registre a história da forma como você conseguir e então conserte ela depois.

INSPIRAÇÃO
 Se você só escreve quando está inspirado, talvez você seja um bom poeta, mas você nunca será um romancista, porque você precisa atingir sua meta de palavras a cada dia. E essas palavras não vão esperar que você decida se está inspirado ou não. Então você deve escrever quando não está inspirado. E você tem que escrever as cenas que não inspiram você. E o mais estranho é que 6 meses ou 1 ano mais tarde você vai olhar para elas e não vai se lembrar quais cenas escreveu porque estava inspirado ou simplesmente escreveu porque era a cena seguinte da história.

PROCESSO
O processo de escrita pode ser mágico. Há momentos em que você dá um passo para fora da janela e caminha no ar e é uma felicidade extrema. Acima de tudo, é um processo de colocar uma palavra após a outra. Na Inglaterra e na Escócia, existem pessoas que fazem muros de pedras seca. E eles tem feito muros de pedra seca por gerações. E eles fazem esses muros com varias pedras. Eles colocam uma, depois colocam outra que se encaixa, e mais outra que se encaixa… eles sabem o que fazer. E de alguma forma eles criam esses muros que são absolutamente estáveis. Simplesmente colocando uma pedra após a outra e eventualmente você tem um muro. E é assim que você cria uma história. Você coloca uma palavra depois da outra e depois você repete.

GÊNEROS
 Quando as pessoas me dizem “eu quero ser um escritor, o que preciso fazer?”, e eu digo “você tem que escrever”. As vezes elas me dizem “eu já estou fazendo isso, o que mais preciso fazer?” e eu digo “você tem que terminar seus textos”. É assim que você aprende. Você aprende terminando textos. Exitem outros conselhos, tem tantos conselhos que se pode dar a para escritores iniciantes, particularmente para escritores que querem trabalhar com determinados gêneros. Leia o gênero que você quer escrever para ver o que outros escritores estão fazendo. Depois, leia fora da sua zona de conforto. Se você ama um certo tipo de filme e você quer fazer triller de ação para Hollywood , assista outros tipos de filme. Assista a documentários. Conheça outras referências, encontre tudo que você puder. Se você gosta de livros e você gosta de fantasia, e você quer ser o próximo Tolkien não leia apenas fantasias parecidas com as histórias de Tolkien. O Tolkien não leu fantasias parecidas com as histórias de Tolkien. Ele leu livros em finologia finlandesa. Você deve ler fora da sua zona de conforto, vai aprender sobre coisas diferentes.

ESTILO
 E o [conselho] mais importante para qualquer pessoa que atinge um certo nível de qualidade [...] é conte sua história. Não tente contar as histórias que outras pessoas podem contar. Porque qualquer escritor iniciante vai começar escrevendo com as vozes de outras pessoas. Você vem lendo outras pessoas por anos, você vai contar as coisas que você vem fazendo, mas assim que possível, comece a contar as histórias que só você pode contar. Porque sempre vão haver escritores melhores que você, mais inteligentes que você. E sempre vão existir escritores melhores nisso ou naquilo. Mas você é o único você. Tem escritores melhores que eu por aí, existem escritores mais inteligentes, pessoas que conseguem criar enredos melhores, etc, mas não existe ninguém que consegue escrever uma história do Neil Gaiman como eu.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Escrever



"TIQUES E TAQUES", por Marcelo Coelho na Folha. Crítica do filme "Boyhood"

"Qual seria a história mais simples do mundo? Ou, para modificar um pouco a pergunta, qual o modelo de enredo mais básico que se pode imaginar?

Para o crítico literário sir Frank Kermode (1919-2010), a resposta poderia bem ser o tique-taque de um relógio. O tique, escrevia ele em "The Sense of an Ending", corresponde "a uma humilde gênese", e o taque, "a um débil apocalipse".

Claro: na alternância desses dois ruídos, há um começo e um fim. Isso todo mundo pode ver, ou melhor, pode ouvir. O mais interessante não está no som que o relógio "objetivamente" produz.

Com alguma honestidade, poderíamos reconhecer que o barulho do relógio é apenas "tique-tique"; a batida é sempre igual.

Se chamamos isso de "tique-taque", é porque já estamos inventando uma historiazinha para o nosso relógio; já produzimos uma forma, extremamente elementar, sem dúvida, de ficção.

Mais ainda, essa "narrativa" tem um sentido. Por mais vago que seja o "conteúdo" dessa sequência de ruídos, sabemos o que esperar: sabemos que depois de um "tique" deve vir o "taque".

Kermode usa o exemplo para mostrar que uma história, um romance –e mesmo a nossa própria vida– não podem se resumir a uma sucessão temporal. Um dia depois do outro, um tique e outro tique em seguida, não levam a lugar nenhum.

O "sentido" da história exige um mínimo de ficção, de imaginação, de propósito, para que não se esgote na mera passagem mecânica do tempo. A ficção humaniza, e dá forma, ao escoar desorganizado dos instantes e dos dias.

Ou, como diz Kermode lindamente, o romancista é sempre um "herdeiro de dom Quixote, inclinando-se na sua cavalaria desesperada contra os invariáveis moinhos de vento de uma realidade submissa ao tempo cronológico".

Resumindo, a mera realidade do dia a dia, sem projeto, sem ficção, perde o sentido –e foi mais ou menos isso o que eu estava dizendo quando reclamei do filme "Boyhood", no artigo da semana passada.

Por mais fiel que seja à realidade de um adolescente americano, "Boyhood" não convence, porque ninguém, na vida real, é tão "real" assim.

Somos todos personagens de nós mesmos: contribuímos com nossas invenções, nossas ilusões, nossos projetos, para construir o que somos de fato. Sem essa ficção, seríamos apenas fantasmas cronológicos, arrastando atrás de nós as correntes do calendário.

Elaboro do meu jeito o que estou lendo num livro ao mesmo tempo audacioso e cheio de bom senso, escrito pelo ensaísta e antigo colaborador do jornal "O Estado de S. Paulo", Gilberto de Mello Kujawski.
Chama-se (apenas!) "O Sentido da Vida", e sai agora em segunda edição revista pela editora Migalhas.



"Não, a vida não tem nenhum sentido", começa o autor. "A vida não tem lógica, acontece a esmo, sempre imprevisível, sem nenhum traço de racionalidade."
Como faz bem (a mim, pelo menos), topar com afirmações tão claras e corajosas logo na abertura de um livro assim... É como se abríssemos a janela para deixar entrar um vento de inverno -de que estamos mais precisados do que nunca nestes dias.

Mas é claro que Kujawski não se limita a esse efeito de choque –e logo estaremos admitindo, junto com o autor, a presença de seu velho mestre, o filósofo espanhol Ortega y Gasset (1883-1955).

Com muita clareza, "O Sentido da Vida" mostra o quanto já havia de "sartreano" nas primeiras obras de Ortega y Gasset –incluindo-se aí a famosa noção de que o ser humano "está condenado à liberdade". Mais importante ainda é a ideia de "projeto".

Não se trata, é claro, de um mero "capricho": posso desejar ardentemente ser um grande pianista, mas não serei capaz de inventar um Marcelo-pianista que não sou.

Ao mesmo tempo, para viver a própria vida, é preciso construí-la. "A vida nos é dada", diz Kujawski, "mas não nos é dada feita".

Desse modo, completa o autor, inventamos, dia a dia, o que vamos ser. Mas essa frase seria algo banal (e também irrealista), não fosse um adendo importantíssimo. Essa invenção se dá conforme aquilo que somos.
Uma pessoa tem (muito teoricamente) a liberdade de ser qualquer coisa –mas o que importa é que ela se transforme naquilo que tem de ser.

Mal comparando, isso deveria ser tão fácil quanto cada um ter sua própria voz. Mas sabemos, infelizmente, o quanto estamos à mercê de uma dublagem constante, que nos ensurdece para nós mesmos."

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

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Ursula Le Guin




"What distinguishes experience from imagination in writing and is one more essential to the process of writing than the other?

Well, imagination is based on experience. The way everything in the world is made out of the elements combined in endless ways, everything in the mind is made out of bits of experienced reality combined in endless ways. So a child’s imagination deepens with living, with wider experience of reality. And so does a writer’s. But the imagination needs training in how to combine, how to invent, how to understand, just as much as the thinking mind does. We get that training mostly by reading and writing fiction and poetry."



O resto da entrevista AQUI.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

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Tipologia do Escritor,
por Luiz Bras



"Para ele (Ezra Pound), os escritores dividiam-se em seis categorias: a dos inventores, a dos mestres, a dos diluidores, a dos bons escritores sem qualidades salientes, a dos beletristas e a dos lançadores de moda.

1. Inventores: escritores que descobrem um novo processo literário ou cuja obra nos dá o primeiro exemplo conhecido de determinado processo literário, rompendo com as convenções. Originalidade é o adjetivo mais usado pela crítica especializada ao analisar a obra desses gênios.


2. Mestres: escritores que combinam certas características dos tais processos mencionados acima e as usam tão bem ou melhor do que os inventores. Um pouco mais fácil do que criar um processo absolutamente original é fazer uso do processo criado por um inventor. Por isso mesmo, muitos mestres conseguem usar determinado processo com muito mais desenvoltura do que o inventor que o criou.


3. Diluidores: escritores que absorvem certas idéias dos inventores e dos mestres, mas não são capazes de realizar tão bem o trabalho literário. Daqui pra baixo o adjetivo originalidade será pouquíssimo usado. Mesmo que a obra dos diluidores pareça algo original para a maioria dos leitores, isso significa apenas que esses leitores, por falta de familiaridade com a cultura mais sofisticada, jamais tiveram acesso à obra dos inventores e dos mestres.


4. Bons escritores sem qualidades salientes: escritores que se mantêm dentro das convenções, sem se preocuparem com as grandes questões literárias. A grande maioria dos escritores conhecidos e desconhecidos.


5. Beletristas: escritores que não inventaram nada nem aprimoraram nada, mas se especializaram em determinada particularidade da arte de escrever.



6. Lançadores de moda: escritores que trabalham apenas com o gosto médio dos leitores e se mantêm na moda por algum tempo, mesmo que esse tempo seja razoavelmente longo."

http://rascunho.gazetadopovo.com.br/tipologia-do-escritor/