O Quadrado Mágico usado em toda Narrativa
Alexandre Linck dos Quadrinhos na Sarjeta fala sobre o Quadrado Narrativo
(Vídeo para membros)
O Quadrado Mágico usado em toda Narrativa
Alexandre Linck dos Quadrinhos na Sarjeta fala sobre o Quadrado Narrativo
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A Arte de organizar o diálogo
Braúlio Tavares VIA
O diálogo é uma segunda dimensão do texto narrativo, por
assim dizer. O “texto” diz uma coisa. O “diálogo” acontece noutro plano de
realidade. É como se a narração fosse a imagem que nossos olhos veem na tela do
cinema; e o diálogo são as vozes que nossos ouvidos escutam vindo do
alto-falante. São duas dimensões que correm paralelas, cada uma consciente da presença
da outra.
Ao longo dos anos desenvolvemos algumas técnicas para
organizar a narração e o diálogo. Nos livros muito antigos isso era tudo
emendado. Inventamos o travessão, por exemplo, para separar o que o personagem
diz e o que o autor narra ou comenta.
Um exemplo. Digamos que é o início de um conto.
Os dois rapazes vieram andando devagar pela calçada, olhando as fachadas das casas, os números pregados nos muros.– Acho que é aquela ali, com a grade.– Sim, estou lembrando, parece que é ela mesmo.Aproximaram-se do portão de entrada, tocaram a campainha.
Passaram-se alguns segundos e em seguida apareceu uma mulher idosa na varanda do primeiro andar.– Pois não.– A gente está procurando o Prof. Horácio, ele está?– Ele viajou.
– Sabe quando volta?– Não sei, pode ser daqui uma semana, ou mais.– A gente trouxe uma carta para entregar a ele, pode ser?...– Um momento que eu vou descer.
Ficaram esperando na calçada e daí a pouco a porta da frente se abriu.
A mulher saiu, ajeitando um casaquinho sobre os ombros, porque soprava um vento frio de outono, apesar do sol. Trazia nas mãos um pacote amarrado com barbante, e aproximou-se devagar do portão, olhando para um e para o outro, alternadamente.– Vocês são do curso?...Os dois se entreolharam. O de barba respondeu:– Somos, sim, senhora.– Já viemos aqui antes – disse o de boné. – Talvez a senhora não lembre da gente.– Vem muita gente aqui. Eu só sei que ele deixou essa encomenda para o caso de virrem dois rapazes do curso buscar. São vocês?– Sim, sim, somos nós mesmos.Ela aproximou-se do portão, devagar.
Os dois rapazes vieram andando devagar pela calçada, olhando as fachadas das casas, os números pregados nos muros.– Acho que é aquela ali, com a grade – disse um deles.– Sim, estou lembrando, parece que é ela mesmo – respondeu o outro.Aproximaram-se do portão de entrada, tocaram a campainha.
Os dois rapazes vieram andando devagar pela calçada, olhando as fachadas das casas, os números pregados nos muros.– Acho que é aquela ali, com a grade – disse o rapaz de barba.– Sim, estou lembrando, parece que é ela mesmo – respondeu o que usava boné.Aproximaram-se do portão de entrada, tocaram a campainha.
– Já viemos aqui antes – disse o de boné. – Talvez a senhora não lembre da gente.
– Já viemos aqui antes. Talvez a senhora não lembre da gente.
– Já viemos aqui antes. Talvez a senhora não lembre da gente – disse o de boné.
Os dois rapazes vieram andando devagar pela calçada, olhando as fachadas das casas, os números pregados nos muros.“Acho que é aquela ali, com a grade,” disse o rapaz de barba.“Sim, estou lembrando, parece que é ela mesmo,” respondeu o que usava boné.Aproximaram-se do portão de entrada, tocaram a campainha.
A mulher idosa parou do lado de dentro do portão gradeado, olhou para um deles, depois para o outro.– Estou velha mas minha vista é muito boa, e minha memória também – anunciou, de cabeça erguida. – Mas vem muita gente, como já falei, e muitas vezes o professor mesmo abre a porta para eles. – Franziu a testa. – Como vou saber se vocês são mesmo do curso?
– Como eu disse à senhora, a gente trouxe uma carta para o professor – disse o rapaz de boné. É a cópia de um texto que eu mostrei a ele por telefone, e ele me pediu que copiasse.
Isol
"Histórias precisam trazer conflitos e, muitas vezes, ter um quê de rispidez para falar do que é humano. Muita gente quer tirar isso dos livros para crianças, porque julga que esses elementos não fazem bem à infância. Mas aí geramos censura estranha, que é uma censura, digamos, progressista", avalia Isol.
Na visão dela, esta é uma época de controle da literatura, sobretudo da infantojuvenil. "É o contrário do artístico, que é o campo da liberdade", afirma. "Se todos os personagens são exemplos de conduta, não existe história. O mesmo vale no nível gráfico. Tudo está virando desenhinho, principalmente nos Estados Unidos."
Cercada de livros em sua casa, em Buenos Aires, de onde conversa com este blog por chamada de vídeo, a escritora e ilustradora tira das prateleiras uma série de títulos fundamentais para a sua própria infância. São contos que falam de mesquinharias, ambições, pobreza, a violência, muitos com ilustrações consideradas ousadas ainda hoje, feitas por nomes como Hermenegildo Sábat, cartunista que marcou a imprensa argentina.
"Falar da importância de cuidar do planeta ou de respeitar as diferenças é importante, mas isso não é função da arte. Se acharmos que a arte precisa educar, estamos fritos. Porque ela vai bem mais fundo, abre diálogos com o que é mais primitivo e coloca o leitor em conflito. Se um livro se limita ao que é seguro e ao que todos já sabem, é um mau livro. É preciso mais. A arte nos desloca."
Veio DAQUI
GRIFO MEU
DASH SHAW
(Veio dessa entrevista AQUI)
" O quanto as suas percepções sobre quadrinhos, os seus principais
interesses pelo meio, mudaram de 2008, quando Umbigo saiu, para cá? O
que mais te interessa em termos de linguagens dos quadrinhos atualmente?
Aliás, o que são quadrinhos para você hoje? O quanto essa percepção
mudou para você ao longo dos anos?
Tenho muita sorte de
ter feito quadrinhos toda a minha vida, e fiz os quadrinhos que queria
fazer. Eu não trabalho como ilustrador, na verdade. Eu apenas faço
minhas próprias coisas. Eu nunca tive um quadrinho incrivelmente
bem-sucedido, que poderia ter colocado expectativas em mim ou me
atrapalhado de alguma forma. Eu vejo tudo isso como uma bênção, sério.
Eu sempre senti que os quadrinhos são uma forma de arte única.
Quadrinhos são ótimos para apresentar ideias ou sentimentos
contraditórios. Quadrinhos são complicados, mas simples. Não cansei de
fazê-los. Dedico minha vida a eles."
A Emoção
Ariano Suassuna em "A Compadecida e o Romanceiro Nordestino" (Almanaque Armorial, 2008)
“(O crítico) Anaton Rosenfeld, com extraordinária agudeza e com a penetração crítica de sempre, notou que meu teatro era, sim, aproximado do de Gil Vicente, dos milagres medievais e – acrescento eu – do de Plauto, do de Goldoni, do de Lope de Vega, do de Calderón de la Barca, etc. - e não do de Claudel ou Bretch. É verdade, e fico muito satisfeito que ele o tenha notado. Eu não conhecia nada de Brecht, nunca sequer ouvira falar dele quando escrevi o Auto da Compadecida. Detesto o teatro marxista dele tanto quanto não gosto do teatro católico e hierático de Claudel. Não gosto, de modo nenhum, agora que os conheço, nem da fragmentação das unidades de tempo, ação e lugar, nem do tal “afastamento”, do “distanciamento” brechtiano, que, começando sua oposição contra alguma coisa também a meu ver errada, o “ilusionismo teatral”, termina prejudicando de modo funesto a própria “Ilusão do Teatro”, que é fundamental, sem a qual morre o teatro, isso queiram ou não os brechtianos. A emoção é, para a Arte, tão fundamental quanto a reflexão: um teatro sem riso, sem cólera, sem amores, sem luta, sem choro, é um teatro frio e desumanizado, intelectualizado e castrado pela Política sectária e sufocante. É por isso que o teatro sectário e político de Brecht nunca chegará nem perto de Shakespeare, que não tinha medo do choro nem do riso, e que por isso trata de Política sem fazer teatro político, trata de problemas filosóficos sem fazer teatro filosófico, faz de sua Arte uma forma superior de diversão sem cair no vulgar, e apresenta o riso, o choro, a cólera, o sangue, sem fazer dramalhão ou teatro sentimental.”
(imagem: aquarela de Marcos Beccari)